Marcia Aguiar me mandou o link dessa notícia, que saiu no G1, da Globo: matança de cães em Imbituba (minha cidade natal). Alguém está envenenando os cachorros com chumbinho ou vidro moído. E isso vem acontecendo há dez anos. Num só dia, foram 22 cachorros mortos. Parece que se sabe quem faz isso, pois a pessoa avisa, ameaça, comunica que vai matar.
Eu sabia que os cachorros de Imbituba eram mortos quando chegavam navios chineses. Minha mãe sempre me contou isso: os chineses adoram carne de cachorro. Quando chegava um navio chinês, desapareciam todos os vira-latas. Eu sempre achei isso tão triste... Agora, mais triste ainda estou por saber que há um malvado matador de cães (e gatos) na minha cidade querida...
Coma frutas como abacaxi, melancia e limão, certos tipos de chá, água-de-coco e chuchu sem dor na consciência, pois elas saciam a fome e não são calóricas. Quer dizer, não engordam.
Não existe recomendação ideal de alimentos e chás diuréticos. Eles devem entrar na sua rotina.
Chás, limão, morango, abóbora, agrião, beterraba, cenoura, escarola, repolho, salsinha, tomate, broto de feijão e pepino podem estar inseridos na sua mesa diária. Além de diminuir a retenção hídrica, eles ainda atacam a saliência na barriga!
Os chás com as ervas: chapéu-decouro, rosa-mosqueta, folha de abacate, quebra-pedra e cavalinha são diuréticos porque estimulam os rins, diminuindo o inchaço e controlando a hipertensão arterial.
Celso Fonseca estava no meu iPhone. Gosto desse cara. Adoro a voz dele. Adoro Slow Motion Bossa Nova. Adoro Queda (fiquei sabendo ontem no show que essa música nem é dele, é de um cara chamado Luciano Salvador Bahia, que é baiano). Gosto muito daquele funk "se ela dança, eu danço...". E de outras coisas. Comprei o CD pra autografar.
O Tony me convidou e eu fui. Show ontem em Jurerê. Acabamos conhecendo um casal bem joinha por lá. Teve até fotinha com o Celso Fonseca, tietagem e tal.
Confissão:
Ele é charmoso pra burro. E gosta de lavar louça...
Mas que eu queria eu queria Só um pouquinho eu queria Assim pra ver eu queria Mas vamos deixar pra lá Vamos deixar pra lá
A Raphinha lembrou de uma coisa que eu aprendi quando fui pra Lapinha (Spa no Paraná) e que já havia esquecido: beber água com limão durante o dia.
Comprei uma jarra de vidro. E dois copos (por que 2? nem sei!) pra deixar no trabalho. E ir bebendo. Ajuda a emagrecer.
Também comprei uma canequinha linda (igual àquela que nós vimos aí no Rio, Alicinha, naquele café no Humaitá) pra tomar bastante chá durante o dia.
Estou seguindo as orientações da Rá, que diz que tá magra porque toma muito chá. E da mamis, que vive me mandando tomar água. E da Lapinha, que manda tomar água com limão.
"O único meio de fortalecer o intelecto é não ter uma opinião rígida sobre nada, deixar a mente ser uma estrada aberta a todos os pensamentos". (John Keats, da newsletter da Alda)
Mestre Tokuda me deu o koromô (roupa de monge) que ele estava usando. Mas me avisou que estava usando há muitos anos e que estava meio puído, que eu tinha de consertar algumas coisas, como a parte (ombro esquerdo) em que vai o manto, as tirinhas de dentro, etc.
Hoje fui levar pra consertar. Vi que havia algumas partes comidas por traça. Foi incrível o jeito como a costureira reagiu ao koromô. Ela perguntou pra que eu usava aquela roupa... Eu respondi que era pra meditar. Ela disse que a roupa estava muito estragada, que seria difícil consertar. Elena explicou que a roupa tinha grande valor sentimental. Eu disse pra ela que era do meu mestre...
No final da história, a mulher estava vibrando de feliz por consertar aquela roupa. Foi mesmo algo incrível, meio mágico. Ela ficou feliz, feliz, feliz. Estou boba.
Elena e eu fomos ver, na última segunda-feira, no cinema do CIC (cof,cof,cof, quanto mofo!) um filme lindo-de-morrer . Filme japonês, vencedor do oscar de melhor filme. Chama-se "A Partida". Muito poético. Linda fotografia. Faz pensar. Dele se podem extrair muitas reflexões. Não falo mais, nem exponho aqui minhas reflexões, pra não tirar esse gostinho de quem vai ver...
Chorei sem parar. Por muitas razões, mas sobretudo pela beleza do filme. De vez em quando, ouvia alguém fungando. Atrás de mim, um homem chorava mais que eu.
Durante a estada do Mestre Tokuda no Brasil, eu comi peixe. Foi fácil, natural. Em alguns momentos, não havia opção e eu comia. (Minha mãe e a Rapha não vão acreditar quando lerem isso... hehehe)
Quando eu podia escolher, escolhia um pratinho vegetariano. Quando não, comia o que tinha. E também comi sushi com a Alicinha. Agora, de volta à vida normal, retomei os velhos hábitos.
Agora, quando me perguntarem há quanto tempo eu sou vegetariana, eu responderei "há alguns dias".
Comprei duas plantinhas para a minha nova sala. Uma de verdade, uma de mentirinha. Lá no Primavera Garden.
Tenho também uma velinha acesa. Em frente a um crucifixo que comprei na Guatemala. Super colorido, lindo. É um Jesus com o cordeiro nos braços. E um incenso japonês queimado.
Num cantinho escondidinho, tem um Buda (de Bodhgaya), São Francisco, São Tiago (peregrino, padroeiro da Espanha) e Nossa Senhora Aparecida. Minha turminha querida.
Não adianta. A gente é tão irreverente que, nem no novo ambiente de trabalho, consegue manter a pose. Outro dia, referindo-se ao Joaquim, o funcionário falou "O Dr. Joaca". Eu comecei a rir... Dr. Joaca, pode?!
De todos os atos negativos alguma vez cometidos por mim, Devido a meu apego, aversão e ignorância, Nascidos de meu corpo, boca e mente, Agora eu me arrependo.
Chovia sem parar. Luís ia operar o joelho (na quinta ou sexta). A mãe da Dalva havia chegado. Enfim, eu estava quase-quase desistindo de Petrópolis. Mas quando perguntei à Dalva "vou ou não vou?", ela foi categórica: - Vem! E eu fui! Só reencontrar os amigos, dar um abração, já valeria a viagem.
Fui a Petrópolis pra ver a Dalva, o Luís e, ainda, conhecer o Tiago. Mas acabei, de quebra, conhecendo Petrópolis! O Palácio de Cristal era um sonho antigo! Adorei!
Uma coisa bem interessante de andar com o Mestre Tokuda (e com o Monge Marcos): eles nunca, nunca, nunca falam de Zen ou de Budismo. Não, não falam. Ensinam pelo exemplo. Você aprende observando.
O Zen deles é de pouco papo e muito exemplo. É bem bacana. Há anos que eu venho observando isso. Não existe jamais a coisa livresca de demonstrar erudição. Nunca. E eles são bem versados em assuntos eruditos do Budismo. Mas ficar de blá blá blá, isso é quase um tabu. Praticamente proibido. E mal visto. O negócio é mesmo agir. Agir certo e cirurgicamente. Sem guruísmos (síndrome de guru).
Não é normal ver blá-blá-blá, piadas zen, trocadilhos budistas entre alunos antigos do Mestre Tokuda (que conviveram intensamente com ele). Ninguém usa jargão budista em vão. Ser natural é a tônica. O negócio é viver a vida simples, agir de forma simples e não se abobar nada. Low profile, cada um na sua. Tem de praticar "escondido", conforme ensina o Mestre Tokuda. Não tem de "parecer" nada, nem se dizer monge.
Com Mestre Tokuda e Monge Marcos, só se fala em Zen no momento da palestra, que é de uma hora por dia durante os retiros. No dia-a-dia, só quando alguém pergunta algo. E a resposta é sempre direta, precisa, sem enrolação. A resposta é sempre um ensinamento que você pode aplicar na vida, uma coisa bem prática. Ou algo que vai fazer você pensar basante e tirar as próprias conclusões. Ou, ainda, um corte muito bem dado ou, ainda, uma bronca se você merecer (no melhor sentido).
Realmente eu agradeço a Deus por esse treinamento. Fico emocionada só de pensar como Deus é bom comigo, por me proporcionar esse caminho reto...
Praia Vermelha. Alicinha me levou lá. Pista Cláudio Coutinho. Nossa! Que maravilha! As pessoas (pessoas leitoras) sabem EXATAMENTE do que eu vou gostar. É sempre assim. Sempre me levam em algum lugar extraordinário. Essa Pista Cláudio Coutinho foi um dos melhores lugares que eu poderia ter visitado no Rio... Brigada, Licinha!
Hoje a Hilda me falou uma coisa muito interessante:
- Se não tem solução, não é problema. Se for problema, tem solução.
Ou seja, a gente só deve se preocupar com coisas que tenham solução. Se não dá pra resolver, resolvido está.
Ou, segundo a oração da Serenidade:
Deus, concedei-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras.
De volta pra casa. De volta para o trabalho. Fim de férias. Foi um mês inteiro seguindo o Mestre Tokuda pelo Brasil. Agora é hora de processar o aprendizado e seguir em frente, administrando a vida.
Fiquei dois dias em Petrópolis. Dois dias com a mesma roupa. Tava um frio de rachar. E eu não tinha nenhuma roupinha. Fiquei com a tal roupinha de monge, de trabalhar. Sorte que tinha essa. E com um cachecol emprestado.
Agora estou em SP, no aeroporto, passando frio de novo. Espero não gripar.
Euzinha no Palácio Quitandinha, em Petrópolis. A Dalva e o Luís já moraram lá. Chique morar num palácio, né? Mas tem um detalhe: é um palácio mal assombrado!!!!! Verdade verdadeira. A Dalva chegou a fotografar (sem querer) um fantasminha. Coisa de louco. E o mais mal assombrado é o quinto andar. Fomos direto ao quinto, Dalva e eu. Nossa, é tétrico. Mas foi divertido. Não poderia haver melhor guia de Petrópolis que a Dalva, gaúcha de Panambi, trilheira profissa, duplamente peregrina de Santiago... e mãe do Tiago!
Na lateral do Palácio Imperial de Petrópolis. Com a roupinha do Mestre Tokuda (samu-e, roupinha de trabalho de monge). Ele me deu. E com o cachecol da Denise (do Rio, não de BSB, nem de Floripa). Quem fez a foto foi a Dalva, peregrina de Santiago, velha amiga de muitas aventuras ecológicas.
Absolutamente assustadora a história desse médico: não é só estupro. Também é acusado de sonegação fiscal e fraude (sugeria o uso de óvulos e espermatozóides de outras pessoas).
Eu e Alicinha, no Design Leblon ou Leblon Design, sei lá... Depois de muito saracotear no Rio Sul. Rio com chuva, sabe como é... Como qualquer cidade, aliás.
Pois bem, devo dizer que a Alicinha é incrível: conhece todos os blogueiros e respectivas biografias. Tudo, tudo, tudo! De mim, ela lembra coisas que eu até já esqueci! Rimos um monte. Foi divertido... quer dizer, "maneiro"
Fiquei totalmente incomunicável. O meu iPhone lindo faleceu. Foi assim: baixei uma atualização do iTunes e o iPhone bloqueou total. Tudo travado. Descobri que é meio normal isso acontecer. Por conta disso, não pude ligar pra ninguém.
Pra piorar, fiquei sem grana. O Banco do Brasil mudou (automaticamente) minha senha de três letras para uma de seis letras. E eu esqueci a tal da senha. E precisava ir ao Banco do Brasil pra sacar dinheiro no caixa.
Daí passei o dia no Rio pra resolver as pendências. E resolvi. Mas foi meio maluco o jeito.
Na Apple, disseram que não resolveriam, que eu deveria ir na Claro. Fui ao Shopping Botafogo. Nada. Me mandaram pro Rio Sul. Fui pro Rio Sul. Me mandaram pra outra loja da Claro, com especialistas em iphone. Na dita loja, me disseram que não havia solução e que eu teria de pegar um novo iphone. Mas só em Floripa, pois o Rio é outra regional da Claro. Fiquei chateada...
Saímos de lá, Lenita e eu. E fomos tomar um café. Lenita (que é monja zen) rezou uns mantras de morte, coisa e tal. E o iPhone misteriosamente ressuscitou. Quer dizer, eu fiz uma tentativa (com um fiozinho de nada de esperança) e deu certo. O iPhone RESSUSCITOU.
Daí Lenita e eu comemoramos e ficamos saracoteando no Shopping. Fomos ao salão de beleza. Eu fiz minhas unhas. Luxo com Rebu. Pra me reabilitar, depois de um mês na rua, sem manicure, tendo virado, digmaos assim, uma mulher das cavernas.
Assim descrito, parece que foi um dia chato, né? Mas não! Foi super divertido. Tudo em ordem agora!
Eram mais que três da tarde. Liguei pra Telinha. Pra essa menina, não tem tempo ruim. Literalmente. O tempo estava meio fechado, coisa e tal. E já era tarde. Mas mesmo assim, veio um convite maluco, espontâneo, desses que me seduzem de imediato:
- Giorgia, vamos ao Cristo? - Vamos!
Fiquei de cara. Fim de tarde no Cristo Redentor! Eita! Salve Telinha, menina linda e maluquinha!
Quando eu estava em Ouro Preto, umas duas semanas atrás, ela (a Denise de Brasília) também estava em Ouro Preto. Não nos encontramos. Depois estávamos em Salvador ao mesmo tempo! Achei que era coincidência demais, um sinal dos céus. A gente tinha de se encontrar! E ela até liberou a agenda para que isso aconecesse! E eu acabei marcando um jantar em que estaríamos ela, eu, Ivone, Mestre Tokuda e uma outra pessoa. Foi legal. Gostei de tê-la apresentado a ele e a Ivone! E ela também gostou muito. O Sermão da Luz Radiante (sem palavras) se fez presente! Mestre Tokuda também gostou dela e até perguntou por ela no dia seguinte. Disse que ainda iriam trabalhar juntos! Depois ainda fomos (nós duas) tomar caipirinha no Largo da Mariquita. Eita!
Fazia 25 anos que eu havia ido ao Cristo. Hoje fui de novo com a menina Telinha, companhia-melhor-do-mundo para o feito! Queridona, até me emprestou o xale...
Neste domingo, a Denise me convidou pra ir a Mar Grande. Eu nem sei onde fica, mas sabia que era um programão. Só que fiquei com um certo medo de que soasse como falta de educação, pois havia um almoço da Sangha Zen da Bahia pro Mestre Tokuda. E como não consegui falar nem com ele, nem com Ivone, acabei desistindo de ir...
Depois do Farol da Barra, acho que esse é um dos lugares que acho (achei, descobri há poucos dias) mais bonitos em Salvador. É o Forte de Monte Serrat. O autor dessa foto é o Mestre Tokuda. Tirei da câmera dele.
Mestre Tokuda disse que eu sou "otaku". Essa palavra é usada mais pra viciados em mangás. Mas também para nerds, viciados em computador, que é o meu caso... Alerta vermelho.
Conversa com um jornalista baiano, da sangha: Eu, animadona: - Ah! A Chapada Diamantina é o lugar mais bonito do mundo!!!! Ele: - É um dos lugares.... Eu: - Tá, então me diz... o que tu achas mais bonito que a Chapada? Ele: - Ah, nenhum... é mesmo a chapada. Mas eu sou baiano, né? Se eu disser que é a Chapada, vou parecer exibido...
Hoje comi o Acarajé da Cira. Eita! Tão bom! Eu adoro acarajé. A-do-ro. Também comi bolinho de estudante (adoro o nome, mais que o bolinho propriamente). Mas ambos eu já conhecia há muito tempo... Agora preciso experimentar abará, que é o acarajé cozido (feito uma pamonha). Não vai dar tempo... Vou embora amanhã...
Sabia que acarajé é comida de santo, comida sagrada? Está ligada ao candomblé. Elas fazem, oferecem... bem interessante. Fiquei sabendo hoje.
Bom, antes de mais nada, advirto: se eu lesse este blog, nem sei se eu mesma acreditaria na veracidade do que escrevo. Mas juro: é tudo verdade.
Hoje acordei, fui fazer meu zazen. Durante o zazen, fiquei pensando na roupa que eu iria usar. Isso me incomodou um pouco, pois meditação não é pra isso, não é pra pensar na roupa que vai usar. Me senti um pouco fútil, mas esse assunto da roupa não me saía da cabeça. Eu estava em dúvida entre uma roupa azul e branca e outra toda branca.
Saí do zazen, abri a mala e peguei uma roupa inteiramente branca. Uma terceira roupa, nenhuma das duas que eu tinha pensado. Era uma roupa indiana, daquelas de três peças, punjabi suit.
Desci e fiquei no lobby esperando a carona. Quando a Mônica (baiana, psicanalista, praticante zen da Sangha da Ivone) chegou pra nos buscar, ela disse:
- Vestida de branco para homenagear Oxalá?
Eu: - hmmm? Ela: - Você não sabe? Hoje é sexta-feira, dia em que os baianos vestem branco em homemagem a Oxalá! Você vai ver muita gente de branco nas ruas. Veja só como você está em sintonia com a Bahia! Acho que você tem uma alma baiana!
Fiquei de cara. Eu sempre digo essa frase. Exatamente essa frase "acho que tenho uma alma baiana". Fiquei pasma. Pasma com a coincidência do branco, pasma com a coincidência da frase.
No caminho, ela me disse que Oxalá, no sincretismo, é o Senhor do Bonfim.
Agora, neste momento, lendo na Wikipedia, vi que Oxalá pode se dividir em dois orixás, um deles, cor azul-e-branco e outro cor branco. De qualquer forma, durante o zazen, eu pensei nas cores de Oxalá. Que coisa. Até me arrepio. Adoro essas coincidências religiosas absolutamente malucas que acontecem a todo instante!
Mas não parou por aí. A caminho da Ribeira (lugar que a Mônica nos levaria pra passear), a Ivone ligou. Ela tinha se atrasado e queria nos encontrar em algum lugar. Elas cogitaram algumas possibilidades e acabaram marcando na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bom, eu não conhecia essa igreja, tinha muita vontade de ir lá. Mas nunca aconteceu de ir. E justo hoje, dia de Nosso Senhor do Bonfim, eu fui parar lá... Vestida de branco, a cor dele.
Quando chegamos, os sinos da igreja começaram a tocar. Foi incrível. Absolutamente incrivel. Olhei pra igreja e os sinos tocaram. Foi muito emocionante.
Quando estava passando pela entrada, uma mulher me disse: - Você é de Oxum. Acho que ela queria me vender algo (aquilo de passar o mato). Mas fiquei ligeiramente impressionada com essa coisa de ser de Oxum. É que eu acredito realmente que sou de Oxum, que é o orixá das cachoeiras e dos rios. Eu amo cachoeiras.
Quando entrei na igreja com o Mestre Tokuda, tocou uma música (esqueci agora qual fui!) super significativa pra mim. Fiquei tocada outra vez. Quando saímos, tocava algo do Espírito Santo, bem lindo.
Estava havendo uma missa. Vi muita gente de branco, do candomblé, assistindo à missa. Gostei muito. Eu os entendo perfeitamente. Sou budista e gosto de missa, de igreja, de terço, de reza. Discretamente fotografei. Tolerância religiosa é uma coisa que me aquece o coração. Deus é um só, os caminhos são muitos. A gente tem de respeitar e aceitar os outros caminhos. Não vamos trilhar todos eles... mas o respeito e o amor ao próximo são coisas lindas.
Depois, fora da igreja, vi três mulheres de branco, vestidas de baianas, com oferendas na cabeça. Muito bonitas. Elas não estavam assediando turistas. Vi algumas pessoas pedirem fotos, elas gentilmente posaram pra fotos. Depois, fui atrás delas, na lateral da igreja, e elas também me deixaram tirar fotos sem nada pedir.
Mais tarde, vendo que nós ficamos parados (Mestre Tokuda, Ivone, Mônica, Elcio e eu) na frente da igreja, nos pediram um donativo para a Festa de São Lázaro. Demos dois reais. E elas nos deram pipoca. Duas mãos cheias de pipoca para cada uma (Ivone e eu). Ficamos ali,comendo a pipoca (sem sal e com côco). Distribuímos pipocas ao Mestre Tokuda, Elcio, Mônica. Comi aquela pipoca com devoção e respeito. Como algo sagrado, mesmo.
Enfim... Hoje foi um dia especial. Definitivamente o foi. Foi meu encontro com Nosso Senhor do Bonfim. Engraçado que, no Rio, falei isso prum taxista (que havia morado na Bahia 17 anos): - Olha, sabe que eu não conheço a Igreja do Bonfim? Quero muito conhecer... Estávamos falando sobre igrejas e ele dizia que o Rio tinha mais igrejas que Salvador. E no meio dessa conversa veio a minha intenção de ir ao Bonfim... Parece que Deus realmente ouve as minhas preces.
Entrei no Restaurante Iemanjá vestida de indiana e saí vestida de baiana. As meninas da recepção não conseguiram conter o riso. Eu lá, de turbante, maior cara de baiana... hehehehe Se eu não abrir o bico, passo por baiana. Ninguém mais me oferece fitinha do bonfim.
Explico: usei minha écharpe branca pra fazer um turbante. Pedi pra garçonete me ensinar.Fomos até o banheiro e ela ensinou. E eu aprendi!
Hoje foi, sem dúvida, um momento histório para a Sangha Mahamuni e para o Zen no Brasil. Monja Ivone Jishô defendeu sua tese de doutorado em Zen (O Ser-tempo em Dogen e a Educação Transdisciplinar).
Monja Ivone fez um trabalho inédito, pioneiro no meio acadêmico. Ivone inova, abre espaço, revoluciona. Faz com que o Zen entre na academia e dialogue com outras áreas do saber, construindo novas possibilidades.
O professor Dante, orientador de Ivone, abriu os trabalhos referindo-se à defesa como uma Celebração. E, de fato, foi essa a tônica da defesa. Os questionamentos foram sérios, interessantes e engrandeceram enormemente a tese, permitindo respostas igualmente precisas e profundas.
Mestre Tokuda compôs a banca, tendo sido tratado muito carinhosamente e com extrema deferência por todos os demais professores.
Um dos professores resumiu a importância e densidade do trabalho de Ivone: "depois desse trabalho, não sou mais o mesmo."
Mestre Tokuda me deu grandes orientações. Simples, como fazem os mestres. E fundamentais, como fazem os mestres.
Disse pra eu comer devagar, bem devagar, muito devagar. E me mostrou o exemplo, durante um almoço: comeu um grão de bico por vez.
E falar devagar (Ele reclama,há muitos anos, que eu falo muito rápido... eu sempre acho que isso é do meu sotaque semi-manezinho).
Ele me recomendou que criticasse menos. Em vez de falar mal do outro, olhar pra dentro profundamente e corrigir meus próprios erros.
Mestre Tokuda disse também pra eu ouvir mais as pessoas, mesmo quando o assunto não me interessar. Ouvir atentamente, incondiconalmente, mesmo quando o assunto parecer bobo.
Perguntei a ele se ele teria algo mais a dizer para eu melhorar minha prática budista. Ele disse que se eu conseguir isso (que é muito difícil), já está mais que bom.
Tem um amigo meu que é juiz de surf e vive viajando pelo mundo. Sempre que falamos no msn, ele está num lugar diferente. Nesses últimos dias em que estive de férias, circulando entre RJ, Belo Horizonte, Ouro Preto, Floripa e Salvador,ele veio me dizer que eu viajo mais que ele. Então combinamos de casar. Seríamos daqueles casais modernos, que nunca se vêem e, por isso, nunca brigam. Logo, nunca separam. Ele tirou uma terceira conclusão: "Daí nossos filhos vão ser rebeldes, ter de tudo, e reclamar que falta amor dos pais, e vão virar emo e ficarão na frente do bobs tentando impressionar os velhinos manezinhos da ilha com seus atos pecaminosos". hehehehe
Outro dia, eu estava escolhendo um toque de celular para cada pessoa. E o Migas tava junto. Ia escolher o dele, quando ele lembrou uma música em espanhol que xinga o cara, chama de néscio, palhaço, presumido, insensível, etc. Eu achei aquilo um pouco demais, mesmo prum ex-marido... hehehehe Então escolhi um pato. Ele, muito mais chique, disse que escolheu, pra mim, um orin, que é o sino que toca na meditação. Disse que escolheu um toque que "é a minha cara".
Sobre o Profeta Gentileza: conheço, sim. Sou fã absoluta. Lembro como fiquei emocionada, no ano passado, quando peguei o bus do Rio pra Itamonte (MG) e vi as coisas dele no viaduto perto da rodoviária do Rio. Adoro a música da Marisa Monte.
Mestre Tokuda já escolheu uma parte do meu nome de monja: Silêncio. Ainda não sei como é silêncio em japonês, mas já sei que adorei o nome. Sei que silêncio é uma coisa muito importante no treinamento. É um objetivo a cumprir, eu acho. Uma meta e, ao mesmo tempo, uma possibilidade. Acho muito bacana,me senti feliz. Lembrei de uma frase do Mestre Tokuda e disse a ele, agorinha, no elevador:
Minha casa é o mundo, Minha religião é o silêncio.
Ontem passei horas na Saraiva. E acabou não sobrando muito tempo pro Paço Imperial. Também não consegui pegar a igreja do Carmo aberta. Quero ver a Candelária. E o Outeiro da Glória.
Hoje parto do Rio. Mas talvez volte pra terminar minhas férias aqui. No próximo findi. Ainda não sei bem. Alguém aí teria alguma dica pra mim?
Agora há pouco, Mestre Tokuda e eu estávamos subindo a favela e um cara, com o maior jeitão de malandro, fez gasshô (fez uma saudação, curvou-se com as mãos juntas) super respeitosamente pro Mestre Tokuda, que devolveu o cumprimento. Fiquei de cara. O Mestre Tokuda não anda por aí vestido de monge... Como o cara sabia? Perguntei pro Mestre Tokuda se conhecia o cara... Ele disse que não.
Aqui no templo há marcas de tiros nos muros, na parede (recém pintada), na fachada e até na árvores. Mami, não leia isso... hehehehe
Bom, é a Faixa de Gaza. É isso. Estou no meio do fogo cruzado. E já nem estranho. Tem taxista que se recusa a subir aqui. Treinamento zen em favela carioca é coisa pra samurai.
Curiosidade: você sabia que na Biblioteca Nacional o leitor não tem acesso às estantes? Ele pede o livro e o livro desce num elevador. O leitor tem acesso apenas a salas de leitura.
Estar com o Mestre Tokuda é um antídoto contra a soberba. Estar com ele me faz cair na real, me dar conta da minha insignificância, do quanto eu preciso aprender, do quanto eu preciso me melhorar (como pessoa e com relação à minha prática budista...). Nossa! É um choque de realidade.
Eu tinha a intenção de ir ao Museu Nacional de Belas Artes hoje. E ao Centro Cultural da Justiça Federal. Este último estava fechado e aquele, em greve. Pois bem, fui caminhando a esmo, até que vi o Mosteiro de Santo Antônio, no alto do Largo da Carioca. Parece que o mosteiro tava me chamando. Desde ontem, aliás. Eu passei por lá e não consegui enxergar a entrada. Achei que estava em obras, coisa e tal. Mas hoje resolvi perguntar. Subi lá. Foi uma coisa meio mágica, maluca (pode ser alucinação minha, alerto). Parece que um ímã me puxava praquele mosteiro hoje.
Logo na subida, tive a minha primeira surpresa: terça-feira é o dia dedicado a Santo Antônio, por isso tem missa de hora em hora. Fiquei super feliz, eu ia à missa! Eba! Mas a surpresa foi maior quando eu entrei na igreja e peguei umas folhinhas de oração a Santa Clara de Assis! Hoje é o dia dela!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bem, a missa foi em homenagem a Santa Clara, a querida santa franciscana. Eu não sou especialmente devota de Santa Clara, mas dei o nome à minha gata de Clara por causa dela. Enfim... A missa foi muito emocionante, chorei o tempo todo. Me senti imensamente tocada.
O convento franciscano estava cheio. Cheio na hora que cheguei, cheio na missa que fui. Lindo. Muita fé, muita fé mesmo. Muito lindo. Rezei muito pra Santa Clara interceder por mim, clarear a minha vida, os meus caminhos. Rezei pelas minhas claras, a gatinha e a sobrinha.
Estou chorando até agora. Nem consigo parar. Senti meu coração muito tocado. As musicas foram lindas... Começou com aquela (Rapha, sei que adoras, nos cantavamos juntas quando eu levava vcs pro colégio): "me chamaste para caminhar na vida contigo... decidi para sempre seguir-te não voltar atrás..."
E também cantaram (cantamos) aquela: "Sim eu quero, que a luz de Deus que um dia em mim brilhou jamais se esconda e não se apague em mim o seu fulgor.Sim, eu quero que o meu amor ajude o meu irmão a caminhar guiado por tua mão/ em tua lei, em tua luz, Senhor!"
No final, fiquei observando as pessoas na missa. A maioria, velhas. E me perguntei por que as pessoas demoram tanto a buscar por Deus...
"Precisamos dos velhos amigos para que nos ajudem a envelhecer, e dos novos amigos para que nos ajudem a continuar sendo jovens.” Letty Cottin Progrebin
Tony diz que eu estou na minha fase carioca. É isso aí. Tou mesmo. Confesso. Poderia morar aqui. Iria adorar. Cariocas são bacanas.
Ah! Outra coisa do Tony: ele disse que se eu tivesse de carro, ele me faria um outro super roteiro... Eu respondi: de carro, só com a Papinha, que é a minha super e destemida motora para cidades grandes.
(Papinha, pra quem não sabe, é a Rapha, minha irmãzinha. É a mãe da Maricota. E não é aquela que aparece com a Maricotinha no colo numa foto recente).
Andei pra caramba, até fazer bolha no pé... Lapa, Glória, Catete, Largo do Machado, etc. Vi o palácio onde o Getúlio pôs fim à vida (achei o palácio tão singelo, em se comparado com as coisas suntuosas que vi durante o dia...). Vi o Museu da República, o Outeiro da Glória... Montes, montes de igrejas lindas. Entrei numa "não-linda", mas cheia de Nossas Senhoras.
Convidei a Telinha para ir à Lapa. Ela não pôde porque Amado Marido já havia chegado em casa, sabe cumé... Entáo liguei prum amigo meu e ele topou na hora. Andamos, andamos, andamos. Andamos até não poder mais. Adorei!
E, de quebra, ainda recebi um convite de um amigo do Espírito Santo que, por coincidência, estava no Rio no mesmo dia que eu. Tive de recusar. Eita!
Venta pra caramba aqui no Rio de Janeiro. Aqui na favela, o som segue alto, altíssimo. O barulho do vento compete com a música. Quase meia noite. Acho que a galera não dorme. Mas melhorou o repertório, pelo menos pra mim. Não é funk, é Agepê!
Quero ir na fonte do teu ser E banhar-me na tua pureza Guardar em pote gotas de felicidade Matar saudade que ainda existe em mim Afagar teus cabelos molhados Pelo orvalho que a natureza rega Com a sutileza que lhe fez a perfeição Deixando a certeza de amor no coração Deixa eu te amar Faz de conta que sou o primeiro Na beleza desse teu olhar Eu quero estar o tempo inteiro Quero saciar a minha sede No desejo da paixão que me alucina Vou me embrenhar nessa mata só porque Existe uma cascata que tem água cristalina Aí então vou te amar com sede Na relva, na rede, onde você quiser Quero te pegar no colo Te deitar no solo e te fazer mulher Quero te pegar no colo Te deitar no solo e te fazer mulher Deixa eu te amar Faz de conta que sou o primeiro Na beleza desse teu olhar
Confissão: eu tinha uma fita do Agepê quando era pequena. Eu mesma havia comprado. E adoraaaaava essa música!
Entrei na internet pra ver se encontrava a Telinha. Entrei várias vezes. Até que a encontrei! Ela topou na hora o convite: Confeitaria Colombo!
Eu esperava que fosse linda, linda de doer. Mas superou todas as minhas expectativas, que eram altas. Lembrei da Grazzi e da sua confeitaria em Buenos Aires...
Raphinha, queria muito (muito mesmo) que vocês três estivessem aqui!
Fui à Biblioteca Nacional - a oitava do mundo. Adorei o tour guiado pela Mariana. Super profissional. Entendi como a biblioteca funciona. Pensava que aquele prédio tinha sido feito pelo D. João VI, mas não... Aquele ali foi feito cem anos depois que o rei trouxe a biblioteca de Portugal.
Detalhe inusitado (a minha vida é cheia dessas coisas): encontrei, no tour guiado, um paulista que nos deu o cano em Los Roques, na Venezuela... Eita, mundo pequeno!
Também fui ao Real Gabinete Português de Leitura: coisa linda de morrer!
O Tony fez um roteiro do Rio pra mim. Disse: "este roteiro é a tua cara". Bom, já fiz parte dele e posso concluir que, aos ohos do Tony, a minha cara é antiga e sofisticada... heheheheh